28 de fevereiro de 2003

CIDADE DE DEUS
E vai mais um... Desta vez, o filme de Meireles, CIDADE DE DEUS. Não foi uma surpresa a belíssima realização (que não tem muito a ver com a safra de filmes que nos chega via Canal Brasil, ou avistados em Berlim, como AMARELO-MANGA, já não me lembro de quem). E não foi, porque já conhecia a curta que antecedeu a projecção PALACE II. A câmara estonteante pelas ruas da favela, as galinhas voadoras e os gatos mortos para salvar a pele dos meninos. Tudo de arma na mão para não acabar com a boca cheia de formigas. A maior surpresa veio do público que acorreu aos magotes, esgotando todas as sessões. Uma vitória da ZERO EM COMPORTAMENTO, no espaço Cine222. Ou como uma sala com pouco conforto (estou a ser porreiro, mesmo se a gente se esquece desse detalhe com as descobertas cinéfilas constantes) vai conseguindo arrastar multidões de entusiastas pelo cinema. E a cãmara de Lisboa que há-de estar a dormir, em vez de apoiar esta iniciativa com a cedência de um espaço mais adequado...

27 de fevereiro de 2003

CHIHIRO EM ANTESTREIA
Acompanhei ontem o filho mais novo do Miyazaki, A VIAGEM DE CHIHIRO. Da arrepiante normalidade dos balanços de um carro em movimento (sobretudo quando nos lembramos que são desenhos. Animação tradicional) até às figuras surrealistas do mundo em que ela mergulha. O 3 D a assomar, subtil como uma flor de pessegueiro... Um filme a lembrar-nos que a Disney dá mais cartas na compra de direitos (este foi comprado e distribuido pela Buena Vista) do que na criação de longas metragens de animação. A Lilo & o amigo Stich (não se escreve assim, de certeza) metidos num sapato japonês. A memória do Conan, o Rapaz do Futuro, a lembrar-nos o génio de Miyazaki. E ficamos à espera da conclusão do seu HOWL'S MOVING CASTLE (previsão: Setembro de 2004... No Japão, claro).
AS POLÉMICAS ACONTECEM
Eu sei que é indiferente ao Pedro Mexia se a expressão das suas ideias vai de encontro ao que pensa o resto da manada ou não. Mas, reafirmo que o estimo por isso. Raios partam se um homem já não pode dizer que aprecia a franqueza! Mesmo que discorde do conteúdo. E, quero dizer que não vi o artigo sobre o Acontece. Mas, se era para dizer que é um programa fraquinho, fraquinho, só tolerado porque não temos mais nada, não está sozinho. E tem o Pedro Mexia muita razão em dizer que há muita gente de outras orientações políticas e estéticas que concordam com isto. Só não o dizem porque não estão para arriscar a ausência das câmaras da rtp no próximo lançamento. É que esta história de ter tomates (simbólicos, leia-se, logo abrangentes...) para dizer o que se quer não é, de todo, um património de esquerda ou de direita.
MUSEU JURÁSSICO
Faça-se Justiça, o Museu de História Natural já abriu a sua Loja Dino. Pressionado pelo florescente comércio da candonga (armados de expositores móveis, muitos trazendo ainda impresso "Sonasol" ou "Bolachas Filipinos" - como é que se poderia competir com isto...?!), os responsáveis inauguraram a sua loja de souvenirs. Ainda não tive tempo de lá ir. Mas conto o tempo que me falta para tal alegria.
Do leitor Tomás Carneiro, recebemos uma possível explicação para a programação televisiva. Aqui fica reprodução parcial da sua teoria:

"-segredo descoberto e divulgado por membros de uma organização misteriosa conhecida por Illuminati –
«Já ouviram falar das “Famílias Mortalha”? Trata-se de vários milhares de lares seleccionados – alegadamente de
forma aleatória – por um profissional de sondagens chamado Lambert S.Mortalha. Aquilo que essas enominadas “Famílias Mortalha” vêem na televisão representa supostamente o gosto da totalidade do país. (como seria o caso, se essas famílias fossem de facto escolhidas aleatoriamente). Durante muito tempo fomos enganados. Fiamo-nos neste embuste e fomos levados a crer que a sinistra proliferação de programas como “Às Duas por Três”, “Bombástico”, “Big Show Sic”, “Big Brother”, “Tic Tac milionário” e “Acorrentados” se devia ao mau gosto do público português. No entanto, os Iluminados descobriram a verdade. Descobrimos que foi a mente malévola do nosso velho antagonista Dr. A.Clavel, que engendrou um plano para imbecilizar a totalidade do universo de telespectadores, naturalmente cultos, crítricos e intervenientes mas que, cercados por programas imbecilóides, como que por hipnose sugestiva, são levados a estados de mais e maior alienação.
O Dr. A.Clavel, ou algum dos seus inergúmenos assistentes, encontrou maneira de se infiltrar na sede da Empresa Mortalha Cia., reprogramou os seus computadores e seleccionou os seus próprios canditatos a “Famílias Mortalhas”.

Segue-se uma listagem dessas famílias que por razões deontológicos e de amor pela síntese não nos permitimos revelar. Mas podem sempre ir até à sua tasca e saber mais. Também tem poemas...
MAC'CARTEIRO
Estou muito feliz. O meu carteiro tocou à campaínha e fez-me descer o porradão de escadas para assinar uns registos. Mas, como boa alma, lá me foi confidenciando que já viu os meus livros a vender no Continente a 13 Euros (fez aqui uma pausa significativa, acompanhada de um olhar-Lassie, que por pouco não me fez lançar escada acima a rebuscar um exemplar qualquer que ainda por cá tivesse, para lhe dar...). E, de seguida levei a lição de vida: levou a mão à sacola e tirou 3 (três!) bloquinhos publicitários que dão desconto no Mac D. (quando eu só teria direito a 1! Um único por casa... ) "Para si e para levar a comer fora a sua mulher e filhos". E ainda se despediu com um "Bom Dia e Bom Trabalho que se eu trabalho com as pernas, o senhor tem que trabalhar com a cabeça".
Confesso que ainda não me recompus, o olhar errando entre 2 Mac Bacon por 3 Euros e um McFlury por um pouco menos.
OOPSSS!
Olho para baixo e verifico que escrevi instintivamente "k" em vez de "que". Lá vai ter o Acontece tema para a próxima semana: "Como Disse Senhor Possidónio?!!!"
O Marco, espinhoso fazedor de páginas web enviou-me este link k penso poder ajudar a compreender melhor as razões da eventual guerra entre os Estados Unidos e o Iraque. Ver para Querer ;-)

26 de fevereiro de 2003

É PENa
Hoje, publica o Dn, carta aberta do amigo Casimiro de Brito, em resposta apaixonada ao Pedro Mexia, amigo e colega Infame (havendo nesta afirmação colegial, um uso mais que abusivo da minha parte, já que comecei há uns miseráveis dias e ainda nem sei como fazem metade das coisas). O Pedro, com o seu temperamento de Cruzado volta e meia compra uma guerra. Mesmo minoritário, ainda assim a compra. Porque quer ser fiel aos seus princípios. E, sem ironias, folgo sempre em ver um homem recto a dizer o que pensa. Ou eu me engano muito ou ainda a procissão das polémicas, literárias e outras, vai no adro. Tremam, gelatinas "yes sir"!
4 da tarde
Que bom que deve ser viver longe de Portugal a esta hora. Num sítio sem nenhum dos programas de televisão que estão neste momento no ar. Enquanto me assoo sonho com um paraíso onde não se conheça o Carlos Ribeiro, o Malato e as suas Muchachas ou as Patetinhas Suburbanas da Sic... Há-de existir um sítio assim, mesmo às 4 h da tarde...
ATCHIM
Percebo melhor, agora, por que havia um anão chamado Atchim. No meio das outras desgraça,como Zangado e o Dunga(abreviatura para Pequeno Homem Com Problemas de Aprendizagem), lá vinha este, permantemente constipado. E atendendo à figura que vi olhando-me, hoje, ao espelho, também começo a ter pena da Branca de Neve. Não devia ser fácil viver com criaturas deste calibre... Ainda por cima, não sendo fácil arranjar Klinéxes no meio da floresta.

25 de fevereiro de 2003

FIM DA CONVERSA DOS TRANSPORTES

mas, antes, ainda quero saudar a presidência da Câmara de Lisboa, embora não saiba se ela é tida nem achada neste processo. A eliminação de transporte entre Santos e Campo de Ourique à noite foi brilhante. Eliminaram a carreira do 74 que passava de vez em quando, depois do eléctrico 25 ir para a caminha. Agora, quem quiser que vá a pé, ou apanhe um táxi (se tiver dinheiro). Mas a saudação não advinha da eliminação, mas do aumento que as viagens do eléctrico 15 tiveram. Quem quiser ir para a 24 de Julho, já vai poder fazê-lo sem grandes esperas. Uma medida digna de um conhecedor da Kapital.
por falar em greves
e ainda a propósito do mesmo tema, vi, coladinho com fita cola, o anúncio da 4ª Conferência dos transportes Rodoviários. Veio-me à memória, dos meus tempos de infância, a 5ª Conferência da Reforma Agrária. A direcção de actores era a mesma. E, o resultado, com o tempo é capaz de não ser muito diferente...
A IDADE DA INOCÊNCIA
Parece haver uma unanimidade (pelo menos em Lx) sobre a idade máxima, antes da mínima (que são os 65 anos), para se utilizar os transportes públicos. É de comum acordo que toda a gente anda de carro. Alega-se que os autocarros passam quando querem, que ainda sobrevive uma raça de adiposos que apalpa impunemente tudo o que tem saias, ainda que tenha calças, entre várias outras queixas. Pois eu, que teimo em estacionar o carro à porta durante dias e dias (devo estar a quebrar uma lei qualquer) e andar de transportes públicos venho aqui declarar que... é VERDADE. Só mesmo alguém tão teimoso (não mencionando uma série de provações que me endureceram o coração e a sola dos pés) é que insiste em esperar 45 minutos por um autocarro que deveria passar (escrito no horário da paragem) de 11m em 11 m. Ou que engole a vontade de soltar o pior que há em si, quando vê arrancar ao longe, da paragem inicial, o autocarro que já lá está parado há muito tempo e que falta assim a dois turnos. A cara de gozo do motorista deixa de nos irritar com o tempo. Afinal, eles estão ocupados a pensar nos aumentos salariais que vão exigir ao Pai-governo, na próxima (e sempre breve) greve. De facto, já não tenho idade para a Carris.
CONSTIPAÇÃO
Hoje, a constipação chegou de táxi. Ia no banco da frente com o condutor, assoando o nariz e protestando contra este tempo maluco que ora faz chuva ora sol...
E aqui estou com a tossir e a pingar do nariz que, não saindo do banco de trás, ainda assim adoeceu pela névoa cortada de água que se espalhava no vidro.
Amanhã será terça.
De França
chega o primeiro comentário para o nosso e-mail. Bem-haja, amiga Vera!
" encontro na blogosfera : 'o silêncio', como uma viagem ao coração dos
pássaros... bonito.

quanto à doença do sono, de que também sofro : jus d'argousier,
produzido pela welleda ! primeiro passo seguro na nebulosa mágica da
homeopatia. eu mantive-me ainda pelo jus d'argousier. sabe mal, prova
irrefutável da sua eficácia, é cor de laranja, que é uma cor tónica, e
toma-se frio e em jejum, como poção que se preza. e, por falar nisso...


vera."

24 de fevereiro de 2003

Li no Dn de hoje:

"Doença do sono é pouco apoiada
Um único medicamento permite combater a sonolência excessiva, um dos principais sintomas desta doença neurológica rara. Calcula-se que haja 4700 doentes em Portugal".
Ora até que enfim uma explicação para os níveis de produtividade da Função Pública. Parece-me é que se enganaram no número de enfermos...
O SILÊNCIO
Porque é que os melhores do mundo são geralmente os que menos se ouvem?
Deve ser pela mesma razão que as plantas saem da terra em silêncio...
MISSA IN ALBIS
Já me ia deitar, resmungando contra as segundas-feiras, quando me lembrei da missa da TVI. Sou só eu que vejo as missas daquela estação? O que eu me tenho rido, desde há meses. Cada benzedela sua minhoca. A de hoje foi solene, com o patronato Tvístico de mãozinhas à frente a defender (eles lá sabem o que passaram nos seus tempos de acólitos) as partes pudendas das diatribes do padre. Este, com um gregoriano vozeirão, atacou todo o missal, levando a eito os evangelhos (uma epístola aos Coríntios ainda se estava a restabelecer à hora deste post), para quem o quis ouvir. Mas o melhor foi ver a nossa Manelinha Ferreira Leite a sonegar à existência a hóstia.... Estava provavelmente a pedir perdão a Deus por ter atraído à cilada os cidadãos faltosos e que agora vão ter que enfrentar os processos judiciais. Deus está definitivamente no éterl!
Saudações fraternas ao blog-de-esquerda , de quem sou leitor atento.